Bem Vindos!

Caros amigos(as): Chama Viva, meu novo blog. É uma declaração de amor, e fé em Cristo. Pretendo nesse blog, lançar mensagens de cunho estritamente cristãos. Lógicamente com toda ética devida. São textos onde falo mais diretamente daquilo que creio e porque creio. Sinta-se à vontade em dar sua opinião, afinal o blog é para isso. Sejam bem-vindos. Um grande abraço!





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O logotipo é composto por seis triângulos coloridos que, juntos, formam a estrela de Davi. Cada triângulo representa um aspecto distinto do sionismo:

  • O triângulo azul e branco representa a bandeira de Israel.
  • A seta vermelha aponta para o leste (“Mizrach”) e indica o futuro.
  • O triângulo laranja representa o deserto e os esforços em fazê-lo florescer.
  • O triângulo com os pontos roxos simboliza as uvas que os espias encontraram em Israel e levaram como lembrança da “terra que mana leite e mel”.
  • A letra hebraica “alef”, na cor azul, representa o renascimento da língua hebraica.
  • O triângulo “espinhento” de cor verde representa um cáctus sabra, e simboliza o israelense moderno.






  • Quinta-feira, Abril 13, 2006


    Pessach
    Marcio Estanqueiro


    O Túmulo está vazio, Ele ressuscitou!


    " Alimpai-vos pois do fermento velho, para que sejais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. Pelo que façamos festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os asmos da sinceridade e da verdade" I Cor.5:7-8.



    A Páscoa que comemoramos hoje, nada tem a ver com a Páscoa (Pessach) comemorada pelos judeus, e descrita na Bíblia. Essa páscoa que hoje é anunciada está totalmente distorcida do seu significado real, o comércio se aproveitou disso para ganhar e confundir crianças, jovens e até mesmo adultos.

    Com uma simbologia que nada retrata a realidade, foram criados "ovos feitos de chocolate", botados por coelhos! E, segundo me consta, coelhos não botam ovos! Mas o que era símbolo do verdadeiro amor e cuidado do Pai, virou festa pagã do chocolate.

    O que é a Páscoa

    A Páscoa literalmente significa "passar por cima", ou ainda "passar poupando", como mostra a versão de King James. Seria assim uma palavra de ordem (Séder) dada aos filhos de Israel para que ficassem em suas casas, e fossem poupados quando o anjo da morte passasse (Ex.12: 22-23). Nos umbrais ou ombreiras das portas (batentes ou colunas verticais) o sangue de um cordeiro deveria ser aspergido como sinal de proteção. Se a casa possuísse esse sinal, o anjo passaria sem tocar em nenhuma vida. "E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito". Ex.12:13




    Hoje como Igreja do Senhor, devemos ter também essa marca, a marca do sangue de Cristo, a marca da purificação! Aquele que está nEle ou melhor em Há Mashiach (Cordeiro de Deus) esse está em local seguro, e o maligno não os toca.(I João5:18). Bendita Proteção!
    O sangue borrifado nas colunas e nas vergas, nos sentidos horizontais e verticais apontavam assim para a cruz de Yeshua Ha Mashiach.

    A Páscoa também simboliza a saída dos filhos de Israel, após 430 anos de cativeiro egípcio para a tão prometida e sonhada Eretz zavat halave udevache (Terra que mana leite e mel). Para a Igreja invisível do Senhor, o corpo místico de Jesus (I Cor.12:27), a Páscoa simboliza também uma nova atitude do cristão para com Deus. O cristão ao sair do Egito, ao abandonar uma vida sem fé, sem Deus e sem direção, caminha agora na presença dEle, em busca da Canaã Celestial, embora os desertos da vida façam a jornada ficar cada vez mais difícil, ele pode contar com a presença acolhedora do Senhor corrigindo o rumo de sua vida!

    Portanto a nossa páscoa deve ser uma festa de alegria e vitória, pois através do sangue de Yeshua Ha Mashiach alcançamos a comunhão com o Pai! (I Cor.5:7) A vida que agora vivemos deve ser uma vida sem fermento, uma vida sem mistura, uma vida de adoração, uma vida separada e de entrega a Deus, exigência feita a Israel, e que até hoje deve ser obedecida àqueles que desejam entrar em Canaã e desfrutar do convívio do Mestre!

    Se na Páscoa temos a simbologia do Cristo que sacrificou-se para remir seu povo do pecado, de tudo que o aprisionava, vemos agora este povo marchando resoluto para a Terra Prometida, livre do jugo da escravidão. A Festa das Primícias (festa comemorada 3 dias após a Páscoa), tem no seu significado a ressurreição de Cristo. Nessa festa Cristo foi oferecido como o primogênito dentre os mortos. At.26:23 e Col.1:18. A ressurreição de Yeshua Há Mashiach, e analogicamente a oferta das primícias representam a consagração de toda a colheita a Deus e serve como um penhor, ou garantia, de que a totalidade da colheita ainda se realizará na ceifa (Rm.8:23).

    Nesse sentido a Páscoa que hoje comemoramos fala da Vida, da Morte e Ressurreição do Senhor Jesus!

    O Senhor não está morto, Ele vive, Maranata!



    post by: Marcio at 11:23 PM







    Segunda-feira, Dezembro 12, 2005


    O sal da Terra
    Marcio Estanqueiro




    " Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a se tornar insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens." Mt.5:13.



    Essas palavras de Jesus, são de grande alcance!
    Sal é uma substancia indispensável na vida diária, ninguém pode comer sem sal, como diz em Jó 6:6. "Ou comer-se-á sem sal o que é insípido?"

    Antigamente as pessoas usavam o sal como forma de preservar o alimento, para que ele não viesse a estragar ou apodrecer. Ao sal esta ligada a idéia de força que mantém a vida, que dá durabilidade.
    Jesus fez essa comparação referindo-se ao grande desafio que estava diante dos seus discípulos: manter sua vida espiritual como sal, pois se esta vida não puder testificar da graça e do amor de Cristo, para nada mais presta. Portanto é de grande importância o nosso viver, quando dizemos que somos seguidores do Mestre.

    Temos visto hoje uma sociedade que não tem nenhum compromisso com a vida cristã, uma sociedade totalmente longe de Deus, cada um seguindo seu próprio caminho, cada um seguindo o seu próprio destino, sem se importar com as coisas de Deus e seu Reino. A violência explode de maneira cruel, e cada vez mais pessoas se matam por coisas banais, fúteis, e o amor ao próximo torna-se a cada dia uma raridade.

    Tudo isso seria normal, e até aceitável, desde que a influencia do sal pudesse amenizar a deteorização da sociedade, pois na medida que o homem se afasta de Deus esse amor ao próximo diminui na mesma proporção, dando lugar a um narcisismo cada vez mais acentuado. O homem na tentativa de preencher o vazio do seu coração busca alternativas de justiça e piedade para estar bem consigo mesmo, e com todos, sufocando dessa forma a voz de Deus em sua vida!

    Deus não está interessado em sua aparência exterior, Deus não está interessado em todos os seus afazeres de piedade, Deus quer que você atue como sal, no meio dessa gente, pois só assim a Palavra de Deus poderá cumprir o seu papel.

    Como cristãos, somos chamados a espalhar esse "sal", essa Palavra que dá vida, que restaura o pecador, que transforma o abatido.

    Mas como pode o sal tornar-se insípido?

    Fisicamente isso é impossível, mas o que no âmbito da natureza não se pode realizar, o homem torna possível, fazendo da sua verdadeira vocação uma enganosa maneira de servir ao Senhor, compactuando com toda a podridão que o mundo oferece, endurecendo a cerviz e não deixando se santificar.

    Prezado amigo, não tentes viver uma vida de santificação a Deus, sem o tempero da obediência, não prometas algo ao Senhor, se não podes cumprir. Quando trouxeres tua oferta de manjares, atentes para o sal. Como diz o Senhor: "De que te serve repetires os meus preceitos e teres nos lábios a minha aliança, uma vez que aborreces a disciplina, e rejeitas as minhas palavras?" Sal.50:16-17.

    O mundo nunca precisou tanto desse sal que sustenta, que dá vida! Não deixes ser pisado pelos homens, mas testifique com sua vida, testifique com a Palavra que Deus tem colocado em ti, e renove a aliança com Senhor, assim como o jovem Ezequias: "Agora estou resolvido a fazer aliança com o Senhor, Deus de Israel, para que se desvie de nós todo o ardor da sua ira" II Cr.29:10. Amém!



    post by: Marcio at 11:07 PM







    Terça-feira, Julho 13, 2004


    Vasos de barro
    Marcio Estanqueiro




    " Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós." IICor.4:7



    Esse talvez seja um dos versículos, mais bonitos da bíblia sagrada! O tesouro a que Paulo se refere, são as promessas do evangelho e, o elevado destino do homem. Essa passagem faz alusão aos primeiros versículos em Gn 2:7, quando Deus nos afirma que o homem foi formado do pó da terra. Ainda que, pessoas possam dizer que o homem veio do macaco!!!

    O mais interessante nisso tudo é que, vaso de barro é matéria fraca para se colocar tesouro. Tesouro se coloca em caixa forte, ou em cofres, mas vaso de barro!? Justamente nessas condições é que verificamos o valor desse tesouro, pois do contrário como poderia ficar à mostra?
    Para vislumbrarmos esse tesouro, não há necessidade de códigos, ou senha, basta quebrar o vaso.
    Quebrar o vaso? Sim, quando o vaso é quebrado, resplandece a luz, e glória de Cristo que está guardada dentro em nós, em nossos corações! Essa simbologia de que somos o vaso e, precisamos ser quebrados para Cristo resplandecer, é deixado de lado por muitas pessoas. É difícil alguém deixar Cristo brilhar em sua vida! Estamos sempre querendo ter o primeiro lugar, sempre querendo ser o melhor, e fazendo as coisas para conseguir méritos próprios. A disputa é muito grande! Mas Cristo disse: "Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á." Mt.16:25

    O Cristianismo é difícil de ser seguido, porque o nosso relacionamento com Deus, baseia-se na confiança e obediência. Eu nunca vejo Deus, raramente tenho estímulos visuais que me façam lembrar de Deus, a não ser quando o procuro, quando o busco. O ato de olhar e a própria busca, torna possível o encontro, por isso que a confiança e obediência no Cristianismo vêm primeiro, e o conhecimento depois.
    Para deixarmos Cristo brilhar, é necessário buscá-Lo!

    Quando o oleiro está confeccionando o vaso, este não opina na forma de como será feito. O oleiro pega o barro e faz o molde do vaso conforme lhe apraz, assim também em nossas vidas, não entendemos muitas vezes como Deus está nos moldando, para que Seu filho Jesus possa brilhar. O oleiro pode destruir o vaso, fazer de outra forma, colocar uma orelinha diferente aqui, fazer outra coloração ali, e quem é o vaso para dizer ao oleiro: Não estou gostando dessa forma, quero ser diferente. Seria isso possível? Creio que não! O vaso muitas vezes resiste a ser quebrado, e pode até achar que é inquebrável, mas existe caminho mais glorioso do que ser portador dessa Palavra?

    A natureza do vaso fala também da posição que temos aqui. Eu acho engraçado e até interessante, homens que se gloriam por possuírem grandes impérios, autoridade sobre o povo, grandes fortunas e ao mesmo tempo serem tão fracos, fisicamente falando. Será que ainda não disseram para eles que barro é fraco? A ..excelência do poder.. conforme o versículo acima, é revelado por ser de Deus, e não de nós.

    Me lembro de uma passagem na bíblia, que fala da vitória de Gideão sobre os midianitas e amalequitas (Jz.7) Gideão apenas com 300 homens cercou o arraial do inimigo à noite, instruindo aos seus homens que levassem consigo em suas mãos, buzina e cântaros vazios com tochas acessas, dividindo-se ao redor do vale onde os inimigos pareciam como gafanhotos. Ao tocar a buzina, e quebrar o cântaro, a tocha brilharia no vale, e diz a palavra: "Assim tocaram os tres esquadrões as buzinas, e partiram os cântaros, e tinham nas suas mãos esquerdas as tochas acesas, e nas suas mãos direitas as buzinas, que tocavam; e exclamaram: Espada do Senhor e de Gideão".Sabe o que aconteceu? Todo exército inimigo bateu em retirada.

    Essa é a vitória para quem quebra os vasos!
    Seja quem for seu inimigo, a falta de fé, o vício, o desânimo, etc.. quando você deixa quebrar-se, a luz de Cristo passa a brilhar em sua vida, e a vitória chega, com certeza!



    post by: Marcio at 7:08 PM







    Sexta-feira, Julho 09, 2004


    A Videira Verdadeira
    Marcio Estanqueiro




    "Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." Jo.15:5



    A vida cristã é interessante. Tenho conversado com muitas pessoas que dizem ser boas e praticam boas obras, e acho que devemos exatamente fazer isso, porém ninguém é bom de um dia para o outro ou melhor ninguém "força uma barra" e consegue ser bom!
    Da mesma forma, na parábola da videira, o fruto só brotará se estiver recebendo dessa videira, a seiva indispensável para seu sustento e seu vigor. É impossível você cortar um galho de árvore, seja ela qual for, e requerer dela fruto! Pode? Não logicamente. O galho tem que estar ligado à árvore, recebendo dela o sustento necessário para produzir. Foi isso exatamente que Jesus estava falando com os discípulos sobre os frutos espirituais. A paz interior, a bondade, fé, domínio próprio e outras virtudes da parte de Deus, somente adquirimos se estivermos ligado nÊle!

    O fruto exalta a árvore. Você não vê abacate nascer da videira, vê? Não! O fruto exalta Àquele que trabalhou na árvore, que cortou os galhos secos, que adubou a terra onde foi plantada, enfim houve todo um trabalho para que esse fruto pudesse ser servido e saboreado por alguém que precisasse! Quando podamos uma árvore é para que ela possa produzir mais frutos e não somente folhas. Deus quer frutos e não folhas!

    Estava lembrando de um filme de Peter Salles, "Muito além do Jardim", muito bom! Aliás Peter Salles em matéria de comédia dava show. Ele fazia papel de um jardineiro, que não entendia nada de política, mais que as circunstâncias levaram-no a conhecer o presidente dos EUA, e ser seu confidente. Com seu linguajar tímido, ele falava de como adubar a terra, para depois colher dela os frutos. Assim devemos ser!

    O mundo anseia por uma palavra, por uma atitude, por um fruto que somente aqueles que se alimentam da seiva verdadeira podem dar!
    Haverá paz, quando exatamente essa paz existir nos corações. A bondade e a benignidade haverá, quando pessoas puderem ajudar, sem tocar trombetas para platéia. A mansidão será uma virtude, não quando tudo estiver bem, mas exatamente quando algo estiver mal e você precisar demonstrar calma e serenidade com o próximo.

    Alguém poderá dizer: Isso é impossível! Sim, será impossível quando o galho estiver fora da videira, mas ele ligado, o fruto nascerá naturalmente. Creio, ser esse o fruto que a sociedade de hoje está precisando!




    post by: Marcio at 7:34 PM







    Sexta-feira, Julho 02, 2004


    O Escutar
    Marcio Estanqueiro




    "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas." IITm.4:3-4



    Não me canso de ver e ouvir o cumprimento fiel da Palavra de Deus, principalmente nos tempos em que vivemos! Paulo quando escreveu esta segunda carta à Timóteo provavelmente estava preso em Roma, e prestes a ser executado, mas o tom de sua carta não era de um homem covarde. Muito pelo contrário, Paulo adverte a Timóteo para que tivesse cuidado com aquelas pessoas que não suportariam a Verdade e que se achassem mais importante do que ela, sofrendo assim apegos à filosofias, levando a desviar-se da sã doutrina.

    Estava meditando essa semana sobre a sensibilidade em escutar. Este nosso sentido pode ser poderosamente utilizado para encher nossa alma de coisas boas, quanto de coisas ruins. Como é bom escutar uma boa música, ela te remete a lugares paradisíacos, te traz boas lembranças, bons momentos. Como é bom também escutar a voz da sua amada recitando juras de amor! Existem também músicas e vozes que evocam coisas ruins. Cristo certa vez disse: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem." Jo.10:27.

    Como é bom escutar a voz do Mestre, e sentir o seu cuidado! Mas as ovelhas não estão livres de lobos, eles podem tentar imitar a voz do pastor das ovelhas. A essa tentativa de desvio, estava se referindo Paulo, quando disse que alguns não suportariam e teriam comichão nos ouvidos, desviariam-se os ouvidos da Verdade, voltando-se as fábulas.
    O que temos visto nesses últimos dias? Um número infindável de religiões, pessoas se auto-salvando, consultando "deus e o diabo" para se livrarem do sufoco, e com isso colocando sua confiança em quem não diz nada, em quem nada pode fazer! Mas segundo Paulo, nesse mesmo capítulo, entre outras palavras de advertência ele termina dessa forma: "Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé" vv7. Que possamos guadar a fé nAquêle que tudo pode. Que Deus possa nos dar ouvidos sensíveis, espirituais, para que sejamos conhecidos pelo Pai!




    post by: Marcio at 10:30 PM







    Terça-feira, Junho 29, 2004


    A Festa de Babette: Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, dirigido por Gabriel Axel, (Dinamarca, 1988 - 111 min.) é um drama existencial narrado com lirismo, espiritualidade e uma bela fotografia.
    Destaques: roteiro criativo, inspirado em conto de Isak Dinessen; produção, direção, interpretação; fotografia; reconstituição de época; diálogos emocionantes; momentos de silêncio que dizem muito, com profundidade; o tema da Providência Divina.
    Filme realmente inesquecível, inconfundível.

    A Festa de Babette
    Isak Dinessen



    Karen Blixen, dinamarquesa de nascimento, casou-se com um barão e passou os anos de 1914-31 administrando uma plantação de café na África Britânica, no Leste (seu livro Out of Africa fala daqueles anos). Depois de um divórcio, ela voltou à Dinamarca e começou a escrever em inglês com o pseudônimo Isak Dinesen. Uma de suas histórias, Ä festa de Babette", tornou-se um clássico respeitado depois de ser transformado em filme na década de 80.
    Dinesen situou sua história na Noruega, mas os cineastas dinamarqueses mudaram o local para uma pobre aldeia de pescadores no litoral da Dinamarca, uma localidade de ruas lamacentas e cabanas cobertas de palha. Neste ambiente triste, um ministro de barbas brancas liderava um grupo de crentes de uma austera seita luterana.
    Os poucos prazeres mundanos que pudessem tentar um camponês em Norre Vosburg eram condenados por essa seita. Todos usavam roupas pretas. Sua alimentação consistia em bacalhau cozido e uma papa feita de pão escaldado em água enriquecida com um borrifo de cerveja. Aos sábados, o grupo se reunia e cantava hinos a respeito de "Jerusalém, meu lar feliz, nome sempre querido para mim". Eles haviam direcionado suas bússolas para a Nova Jerusalém, e a vida na terra era apenas tolerada como um meio de chegar lá.
    O velho pastor, um viúvo, tinha duas filhas adolescentes: Martine, chamada assim por causa de Martinho Lutero, e Philippa, por causa do discípulo de Lutero, Philip Melanchton. Os habitantes da vila costumavam ir à igreja apenas para deliciar seus olhos olhando para as duas, cuja radiante beleza não podia ser ocultada, apesar dos melhores esforços das duas irmãs.
    Martine captou os olhares de um jovem e arrojado oficial da cavalaria. Quando ela, obstinadamente, resistiu ãs suas investidas - afinal, quem cuidaria de seu velho pai? - ele foi embora para se casar com uma dama de companhia da rainha Sofia.
    Além de ser muito bela, Philippa também possuía a voz de um rouxinol. Quando ela cantava a respeito de Jerusalém, visões reluzentes da cidade celestial pareciam surgir. E aconteceu que Philippa conheceu o mais famoso cantor de ópera daquele tempo, o francês Achille Papin, que estava passando uns dias no litoral por causa da saúde. Enquanto caminhava pelos poeirentos caminhos de uma cidade atrasada, Papin ouviu, para sua grande admiração, uma voz digna da Grand Opera de Paris.
    "Deixe-me ensiná-la a cantar de maneira certa", ele insistiu com Philippa, "e toda a França vai cair a seus pés. A realeza vai fazer fila para conhecê-la, e voce vai andar de carruagem puxada por cavalos para jantar no magnífico Café Anglais". Lisonjeada, Philippa consentiu em tomar algumas lições, mas apenas algumas. Cantar a respeito do amor fê-la ficar nervosa, a agitação dentro dela a pertubou mais ainda e, quando uma ária de Don Giovanni acabou com ela sendo enlaçada pelos braços de Papin, os lábios dele roçando os seus, ela soube, sem a menor sombra de dúvida, que estes novos prazeres tinham de ser abandonados. Seu pai escreveu um bilhete desisitindo de todas as futuras lições, e Achille Papin voltou a Paris, tão triste como se tivesse perdido um bilhete de loteria premiado.
    Passaram-se quinze anos, e muita coisa mudou na vila. As duas irmãs, agora solteironas de meia-idade, tentaram continuar com a missão do falecido pai, mas, sem a sua séria liderança, a seita estilhaçou-se. Um irmão tinha queixas de outro por causa de algum negócio. Espalharam-se boatos de que havia um caso de sexo ilícito há trinta e dois anos envolvendo duas pessoas da comunidade. Duas velhas senhoras não se falavam há uma década. Embora a seita ainda se reunisse aos domingos e cantasse velhos hinos, apenas um punhado de pessoas se davam ao trabalho de ir, e a música havia perdido o seu entusiasmo. Apesar de todos esses problemas, as duas filhas do ministro continuaram fiéis, organizando os cultos e escaldando pão para os anciãos desdentados da vila.
    Uma noite, chuvosa demais para que alguém se aventurasse pelas ruas lamacentas, as irmãs ouviram fortes batidas na porta. Quando a abriram, uma mulher caiu desmaiada. Elas a reanimaram e descobriram que não falava dinamarquês. Ela lhes entregou uma carta de Achille Papin. Ao ver aquele nome Philippa enrubesceu, e sua mão tremia enquanto ela lia a carta de apresentação. O nome da mulher era Babette. Ela habia perdido o marido e filho durante a guerra civil na França. Com a vida em perigo, tivera de fugir, e Papin lhe arranjara uma passagem em um navio com esperança de que essa aldeia lhe demonstrasse misericórdia. "Babette sabe cozinhar", dizia a carta.
    As irmãs não tinham dinheiro para pagar Babette e, antes de mais nada, não sabiam se deviam ter uma empregada. Desconfiaram de sua arte - os franceses não comiam cavalos e rãs? Mas, por meio de gestos e rogos, Babette amoleceu o coração delas. Ela poderia fazer alguns serviços em troca de quarto e comida.
    Durante os doze anos seguintes Babette trabalhou para as irmãs. A primeira vez que Martine mostrou-lhe como cortar um bacalhau e cozinhar a papa, as sobrancelhas de Babette se elevaram e o seu nariz enrugou um pouco, mas nunca questionou suas tarefas. Ela alimentava os pobres na cidade e assumiu todas as tarefas domésticas. Até ajudava nos cultos de domingo. Todos tinham de concordar que Babette trouxe nova vida à estagnada comunidade.
    Uma vez que Babette nunca se referia ao seu passado na França, foi uma grande surpresa para Martine e Philippa quando, um dia, depois de doze anos, ela recebu a primeira carta. Babette a leu, viu as irmãs de olhos arregalados e anunciou de maneira natural que uma coisa maravilhosa lhe havia acontecido. Todos os anos um amigo em Paris renovava o número de Babette na loteria francesa. Nesse ano, o seu bilhete fora premiado. Dez mil francos!
    As irmãs apertaram a mão de Babette, parabenizando-a, mas lá no fundo seus corações desfaleceram. Sabiam que logo ela iria embora.
    A sorte grande de Babette na loteria coincidiu como o momento em que as irmãs estavam discutindo sobre a celebração de uma festa em homenagem ao centenário do nascimento de seu pai. Babette lhes fez um pedido. Disse que em doze anos nunca lhes pedira nada. Elas assentiram. Ägora, porém, tenho um pedido: Gostaria de preparar uma refeição para o culto de aniversário. Quero cozinhar uma verdadeira refeição francesa".
    Embora as irmãs tivessem sérias dúvidas a respeito desse plano, Babette, sem nenhuma sombra de dúvida, estava certa de que nunca havia pedido nenhum favor em doze anos. Que escolha elas tinham a não ser concordar?
    Quando o dinheiro chegou da França, Babette fez uma rápida viagem para providenciar os arranjos para o jantar. Nas semanas que se seguiram à sua volta, os habitantes de Norre Vosburg foram surpreendidos com a visão de vários barcos ancorados descarregando provisões para a cozinha de Babette. Trabalhadores empurravam carrinhos de mão cheios de gaiolas com pequenas aves. Caixas de champanhe - champanhe! - e vinho logo se seguiram. A cabeça inteira de uma vaca, vegetais frescos, trufas, faisões, presunto, estranhas criaturas que viviam no mar, uma imensa tartaruga ainda viva mexendo a cabeça como a de uma cobra de um lado para o outro - tudo isso acabava na cozinha das irmãs agora firmemente dirigida por Babette.
    Martine e Phlippa, alarmadas com os preparativos que mais pareciam de bruxa, explicavam a embaraçosa situação aos membros da seita, agora apenas onze pessoas, velhas e grisalhas. Todas manifestavam simpatia com elas. Depois de alguma discussão concordaram em comer a refeição francesa, refreando os comentários para que Babette não entendesse mal. Línguas haviam sido feitas para louvor e ação de graças, e não para satisfazer gostos exóticos.
    Nevava no dia 15 de dezembro, o dia do jantar, iluminando a aldeia obscura com um brilho branco. As irmãs ficaram satisfeitas ao saber que um hóspede inesperado se juntaria a elas: a senhora Loewenhielm, de noventa anos de idade, estaria acompanhada de seu sobrinho, o oficial de cavalaria que havia cortejado Martine tempos atrás, e agora era general no palácio real.
    Babette havia conseguido emprestadas louças e cristais suficientes, e havia enfeitado o recinto com velas e coníferas. A mesa estava linda. Quando a refeição começou todos os habitantes da aldeia se lembraram de seu pacto e ficaram mudos, como tartarugas ao redor de um lago. Apenas o general comentou a comida e a bebida. Ämontillador", ele exclamou quando levantou o primeiro copo. "É o mais fino Amontillado que já provei."Quando experimentou a primeira colherada de sopa, o general poderia jurar que era sopa de tartaruga, mas como se acharia tal coisa no litoral da Jutlândia?
    "Incrível", disse o general quando experimentou o próximo prato. "É Blinis Demidoff!" Todos os outros convivas, as faces franzinas por profundas rugas, estavam comendo as mesmas delicadezas raras sem nenhuma expressão ou comentários. Quando o general entusiasmado elogiou o champanhe, um Veuve Cliquot 1860, Babette ordenou ao seu ajudante de cozinha que mantivesse o copo do general cheio o tempo todo. Apenas ele parecia apreciar o que estava diante dele.
    Embora ninguém mais falasse a respeito da comida ou da bebida gradualmente o banquete operou um efeito mágico sobre os habitantes da aldeia. O seu sangue esquentou. Suas línguas se soltaram. Eles falaram dos velhos dias quando o pastor estva vivo e do Natal em que a baía congelou. O irmão que havia enganado o outro nos negócios finalmente confessou, e as duas mulheres que tinham uma rixa acabaram conversando. Uma mulher arrotou, e o irmão ao seu lado disse sem pensar: "Aleluia!".
    O general, entretanto, não conseguia falar de nada além da comida. Quando o ajudante da cozinha trouxe o coup de grâce, codornizes preparadas em Sarcophage, o general exclamou que vira tal prato apenas em um lugar na Europa, no famoso Café Anglais em Paris, o restaurante que já fora célebre por ter uma mulher como chefe-de-cozinha.
    Cheio de vinho, o apetite satisfeito, incapaz de se conter, o general levantou-se para fazer um discurso. "A misericórdia e a verdade, meus amigos, se encontraram", ele começou. "A justiça e a bem-aventurança se beijaram." E, então, o general fez uma pausa, "pois - conforme comenta Isak Dinesen - ele tinha o hábito de fazer os seus discursos com cuidado, consciente do seu propósito, mas aqui, no meio da simples congregação do pastor, foi como se toda a figura do General Loewenhielm, com seu peito coberto de condecorações, fosse porta-voz de uma mensagem que tinha de ser transmitida". A mensagem do general era a Graça.
    Embora os irmãos e as irmãs da seita não compreendessem totalmente o discurso do general, naquele momento as vãs ilusões desta terra se dissolveram diante de seus olhos como fumaça, e eles viram o universo como ele realmente era".O pequeno grupo se desfez e saiu para uma cidade coberta de neve brilhante sob um céu recoberto de estrelas.
    A "Festa de Babette"termina com duas cenas. Lá fora, os velhos se dão as mãos ao redor da fonte e cantam entusiasmados os velhos hinos da fé. É uma cena de comunhão: a festa de Babette abriu o portão e a graça entrou silenciosamente. Eles sentiram, acrescenta Isak Dinesen, "como se realmente tivessem os seus pecados lavados e tornados brancos como a lã, e nessas vestes inocentes recuperadas faziam brincadeiras como cordeirinhos travessos".






    A cena final acontece lá dentro, na bagunça de uma cozinha cheia até o teto de louça para lavar, panelas engorduradas, conchas, carapaças, ossos cartilaginosos, engradados quebrados, cascas de vegetais e garrafas vazias. Babette senta-se no meio da bagunça, parecendo tão desgastada quanto na noite em que chegara doze anos antes. Subitamente, as irmãs percebem que, de acordo com o seu voto, ninguém havia falado com Babette a respeito do jantar.
    _ Foi um jantar e tanto, Babette - Martine diz para começar. Babette parece distante. Depois de um minuto ela responde:
    _ Eu era a cozinheira do Café Anglais.
    _Todos nós vamos-nos lembrar desta noite quando você tiver voltado para Paris, Babette - Martine acrescenta, como se não a tivesse ouvido. Babette lhes diz que não vai voltar para Paris. Todos os seus amigos e parentes ali foram mortos ou feitos prisioneiros. E, naturalmente, seria muito caro voltar para Paris.
    _ Mas e os dez mil francos?
    _ as irmãs perguntam. Então Babette deixa cair a bomba. Ela havia gasto tudo, cada franco dos dez mil que ganhara, na comida que haviam acabado de devorar.
    _ Não se assustem
    _ ela lhes diz.
    _ É isso que um jantar adequado para doze custa no Café Anglais.
    No discurso do general, Isak Dinesen não deixa dúvidas de que ela escreveu "A festa de Babette" não apenas como uma história a respeito de uma excelente refeição, mas como uma parábola da graça: um presente que custa tudo para o doador e nada para o que recebeu. Isto é o que o General Loewenhielm disse aos carrancudos paroquianos reunidos ao redor da mesa de Babette:
    Todos nós fomos informados de que a graça deve ser buscada no universo. Mas em nossa loucura humana e nossa visão reduzida imaginamos que a graça divina seja finita. Porém, chega o momento em que nossos olhos são abertos, e vemos e entendemos que a graça é infinita. A graça, meus amigos, não exige nada de nós a não ser que a aguardemos com confiança e a reconheçamos com gratidão.
    Doze anos, Babette aparecera entre aquelas pessoas desprovidas de graça. Discípulas de Lutero, ouviam sermões a respeito da graça quase todos os domingos e no restante da semana tentavam obter o favor de Deus com a sua piedade e renúncia. A graça veio a elas na forma de uma festa, a festa de Babette, uma refeição desperdiçando uma vida inteira sobre aqueles que não a haviam merecido, que mal possuíam a faculdade de recebê-la. A graça veio a Norre Vosburg como sempre vem: livre de pagamento, sem cordas amarradas, como oferta da casa.



    "Pois já conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que sendo rico, por amor de vós se fez pobre, para que pela sua pobreza vos tornásseis ricos."II Cor.8:9

    post by: Marcio at 10:19 PM